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Rorion Gracie, sobre criação do UFC: ‘Ideia nunca foi ganhar dinheiro’


Se você dispensa as noitadas para ficar sentado no sofá, pelo menos duas vezes por mês, para assistir a lutas de MMA, você deve isso a este homem. Rorion Gracie, criador do UFC, conta, em entrevista exclusiva à Revista TATAME, como revolucionou o mundo das lutas e criou uma verdadeira máquina de fazer dinheiro, hoje nas mãos de Dana White e dos irmãos Fertitta.
“Quando comecei o UFC, já sabia que a gente ia acabar com o Boxe. Não tinha surpresa nenhuma”, relembra o filho de Helio Gracie, que não se arrepende das escolhas do passado, vivendo hoje para difundir a arte suave e a Dieta Gracie. “Se eu tiver que escolher entre a dieta e o Jiu-Jitsu que eu sei, prefiro a minha dieta”, revela.
Você se surpreende com o crescimento do MMA?
Quando comecei o UFC, já sabia que a gente ia acabar com o Boxe. Não tinha surpresa nenhuma. Eu já fiz essa brincadeira sabendo que uma luta de Vale-Tudo é muito mais entretenimento, excitante e empolgante para as plateias do que uma luta de Boxe. O Boxe é muito limitado com o negócio de regra, quando entra no clinche tem que parar, não tem chão… Como não havia opção, o campeão do mundo de Boxe era um cara impressionante, então quando eu trouxe para cá a ideia e fiz o negócio do Vale-Tudo, a ideia era explorar exatamente essa sensação de realidade. Começa em pé, troca para cá, cai no chão, continua, ou seja, como havia no Brasil. Trazer isso para cá, para o povo americano, que não conhece, era sucesso garantido.
Acredita que o esporte teria tanto espaço que tem hoje se mantivesse a falta de regras de antigamente?
O que acontece é o seguinte: eu sabia que o negócio tinha tempo limitado, a verdade é essa. Assim que o povo começasse a observar que a técnica do Royce era o que dava a ele a condição de ganhar dos seus adversários, eles iam querer começar a aprender também. Teve muito lutador profissional no começo do Ultimate, como Amaury Bitetti, esses caras todos me ligaram para dizer: “Rorion, muito obrigado. Seus videotapes estão me ajudando muito. Quando você vai ter a nossa próxima série de vídeos de instrução?” Eram profissionais que estavam lutando no Ultimate. Eles ligavam para me agradecer.
O MMA demorou um pouco para evoluir nesse nível de crosstraining, e foi com o Marco Ruas que a coisa começou a se tornar mais popular.
O Marco Ruas é um grande lutador. Ele fazia Luta Livre, que é o Jiu-Jitsu sem quimono, que começou esse negócio no Brasil nos anos 1950. O Brasil já vinha nesse ritmo de porrada, de trocação. A arte suave é a parte técnica do negócio, mas no Vale-Tudo, a Luta Livre é o Jiu-Jitsu sem quimono, também lançado no Brasil pela família Gracie. O Marco Ruas é um grande lutador de Luta Livre. Ele pode não botar o quimono, mas conhece os movimentos. Os princípios são os mesmos. Quando o Ultimate começou a crescer aqui, o pessoal começou a ver que tinha que aprender Jiu-Jitsu, senão ia perder. Hoje em dia, ninguém se aventura a fazer Vale-Tudo sem aprender um pouco de chão. Quem não aprender Jiu-Jitsu, não sai do ringue mais hoje em dia.
Já recebeu propostas de se aliar a algum evento que existe hoje?



Já tive várias propostas, mas não estou interessado nisso, estou com outra meta. Meus filhos estão mais ou menos direcionando essa parte da academia para fazer esse tipo de aprendizado online e ensinar as pessoas do mundo inteiro o nosso método de Jiu-Jitsu. Estou numa outra fase da minha vida. Minha meta principal é educar as pessoas para uma maneira mais saudável de comer, seguindo os princípios da dieta Gracie, aperfeiçoada e desenvolvida pelo meu tio Carlos, que passou 65 anos estudando a lei das combinações de alimentos. Na opinião de Rorion Gracie, faixa-vermelha nono grau, se eu tiver que escolher entre a dieta e o Jiu-Jitsu que eu sei, prefiro a minha dieta. A minha próxima meta para os próximos 40 anos da minha vida é tocar as pessoas e orientá-las para comer bem através de uma alimentação saudável, antiácida.
Numa entrevista, você disse que não considerava o UFC uma luta de verdade hoje em dia…
Antigamente, quando eu criei o Ultimate, a finalidade era a comparação de estilos de luta. O cara do Caratê contra Kung-Fu, Tae Kwon Do contra o outro e deixa o pau comer. Os caras entravam, não tinha tempo de luta, não tinha jurado e nem nada. O pau comia. Hoje em dia tem grandes atletas por aí, um melhor do que o outro, os caras são bons lutadores, de porrada e tal. Só que a luta em si é limitada pela quantidade de regras que tem que haver para poder acontecer o evento. Ela deixou de ter aquele elemento de imprevisibilidade, não tem aquela dinâmica de uma porrada sem regra. Você está lutando no Ultimate, pega um cara no estrangulamento com um mata-leão, quando bate o gongo, você tem que soltar o mata-leão. Porra… Por favor. O cara passa o outro round fugindo o tempo todo. Ou seja, se fosse um briga de verdade, você teria vencido. Na próxima, ele vai dizer: “o negócio do cara é mata-leão, então não vou deixar o cara ficar perto de mim”. E aí ele fica de pé o tempo todo, de costas para o octógono, para você não poder pegar as costas dele e muda a dinâmica da luta. Hoje em dia, você pode entrar no ringue, dar um soco ou dois, ficar descansando e, quando estiver quase acabando o último round, você senta uma saraivada de porrada e soco e impressiona o juiz, que vai dizer: “Esse cara lutou bem no final. Vou dar ponto para ele”.


Com certeza. Esses caras são impressionantes para trocar em pé. Um nocaute é muito mais bonito de se ver do que aquela luta amarradinha no chão. Visualmente falando é mais impressionante, claro. Caiu no chão, começou a demorar muito, o juiz levanta porque o que ele quer ver é a trocação.
Quem te impressiona no MMA atual?
Eu não assisto Vale-Tudo. Tem grandes talentos, grandes lutadores lá fora hoje em dia, de vez em quando escuto falar do fulano, do beltrano, que fez aquilo, mas eu não assisto ao Ultimate. Não assisto, mas não é que eu não goste de briga, mas, para mim, é uma luta antirrealidade, porque você coloca um cara, pega no estrangulamento, bate o gongo e tem que soltar. Está brincando… Não acompanho, não sei nem quem são os melhores do mundo. Adoro o Dana White, sou fã do trabalho que ele fez, disse para ele que ele conseguiu levar o Ultimate como evento muito mais longe do que eu teria levado. Ele fez um trabalho excepcional. Sou fã dele como businessman, mas é um evento que não é a minha visão.
Você se arrepende de ter vendido o UFC por apenas dois milhões de dólares?
Não me arrependo. Ao criar o Ultimate, a minha ideia nunca foi ganhar dinheiro. Criei um evento aonde a gente pudesse comparar estilos de luta e, através dessa comparação, pudesse demonstrar para o mundo inteiro a eficiência do Jiu-Jitsu Gracie. Dinheiro nunca foi a razão do meu trabalho. Dinheiro sempre foi a consequência do meu trabalho. Eu faço bem feito e, como consequência, tenho grana. Não pelo dinheiro em si, mas pelo trabalho.

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